Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto …
Olavo Bilac
Estamos sós no universo? Esta é a inevitável pergunta que preciso fazer após ter regressado de uma expedição realizada a cidade de Colares, localizada a 110 quilômetros de Belém.
Colares é uma cidade pequena, bonita e muito misteriosa. Tem aproximadamente 11 mil habitantes e fica localizada na mesorregião do nordeste paraense, possui uma bonita praia que é cortado por um igarapé de águas turvas. Mas o que mais chama atenção de quem visita a cidade são os relatos de seus moradores sobre a aparição de OVNIs (objetos voadores não identificados).
Eu e minhas sobrinhas Mayra, Marisa e Mayara organizamos uma expedição para Colares que denominamos de operação garfo - uma alusão a missão comandada pelo Capitão Hollanda da Força Aérea Brasileira denominada de Operação Prato, que na década de 70 investigou atividades de objetos estranhos, que emitiam forte luzes de diversas cores e segundo os moradores chupavam o sangue dos habitantes da ilha.
Nosso objetivo era entrevistar e gravar depoimentos de nativos da ilha sobre as estranhas aparições que marcam a vida e a história daquela tão “pacata” cidade. Vários moradores nos narraram que foram atacados pelo Chupa-chupa, como são conhecidos os estranhos objetos que sobrevoam o lindo céu iluminado por milhares de estrelas, que pode ser visto de Colares.
Segundo o ufólogo Beto Freitas, que reside em Colares há quinze anos, estudioso dos fenômenos de avistamentos de OVNIs e um dos principais responsáveis pelo resgate histórico da Operação Prato, que possui cópias de documentos que estão em poder do governo brasileiro e fitas gravadas com depoimentos do Capitão Hollanda, seu colega de ginásio, onde o comandante da operação realizada pela Aeronáutica confessa a vericidade dos relatos dos moradores e descreve, inclusive, um contato imediato que teve com um extraterrestre.
Após várias tentativas marcadas por desencontros eu e minhas corajosas sobrinhas, conseguimos localizar uma das ultimas vitimas, ainda, vivas do inusitado ataque do chupa-chupa. Trata-se do senhor Newton Cardoso, um senhor simples, que possui uma memória incrível do fato que mudaria sua vida: o ataque que sofreu do chupa-chupa.
Sentado em frente a sua casa e mostrando uma certa desconfiança, pois já foi vitima de uso indevido de sua imagem, nos relatou o seguinte: ¨Quando o chupa-chupa começou a atacar Colares causando um grande pânico entre os moradores, fiquei com medo e resolvi fugir para a casa de minha namorada, localizada em uma vila distante do centro da cidade de Colares. Enquanto dormia tranquilamente, fui atacado pelo chupa-chupa e desmaiei imediatamente, depois de uma hora fui acordado pela minha namorada e minha atual esposa. Foi quando descobri que tinha sido atacado no pescoço pelo chupa-chupa que retirou muito sangue do meu corpo¨.
O senhor Newton relatou que ficou uma semana sem dormir, um mês se sentindo fraco e traumatizado. Nos surpreendeu, ainda, com a seguinte frase: ¨Se o chupa-chupa resolver voltar eu cavarei um buraco e me esconderei lá¨.
Tal assertiva demonstra o pavor que a população de Colares sente quando pensa que o chupa-chupa pode voltar e fazê-la reviver o pânico ocorrido na cidade na década de 70. Esta medo parece ser alimentado pelo avistamento de OVNIs, em localidades próximas a Colares.
O Chupa-chupa estaria voltando?
Uma parcela da população local tem utilizado da história dos avistamento dos OVNIs para impulsionar o turismo na cidade de Colares.
Lojas, comércios, hotéis, roupas, residências de moradores da ilha ostentam desenhos e pinturas associadas ao episódio do aparecimento de ETs na cidade. As pinturas mostram os Extraterrestres juntos com os personagens da cultura popular local, como a cobra grande, boto, mãe d'água e retratam, inclusive, pontos turísticos de Colares.
Como afirmava Shakespeare existe mais mistérios entre o céu e a terra do que a nossa vã filosofia imagina. Nós da Operação Garfo preferimos imaginar Colares como um polo de atração turística, rica em tradições culturais, linda, misteriosa a despertar nossas fantasias, curiosidades e capaz de nos instigar a pensar sobre a possibilidade de não estarmos sós neste imenso e maravilhoso universo.