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Metamorfose!

 

Há um livro que adorei ler, apesar de sua atmosfera um pouco sombria e de sua linguagem meio ácida e às vezes cética sobre nós seres humanos.

 

Trata-se de Metamorfose, de Franz Kafka, um livro que lido a luz do nosso cotidiano pode nos ajudar muito a compreender nossas atitudes e descobrir em que momento perdemos nossa face humana. Somos transformados em algo diferente do que sonhamos e, talvez, por isso já não somos mais útil ao agrupamento que pertencemos ou a “sociedade que ajudamos a criar”.

 

Um certo dia você acorda e já não se reconhece mais, você já não é mais a mesma pessoa, paulatinamente deixou se transformar em outra coisa, um inseto ou um homem insensível às coisas que sempre acreditou. No local em que trabalha, as pessoas são indiferentes a sua transformação. Você deixa e ir ao trabalho e as pessoas sequer percebem sua ausência, pois as relações estabelecidas são impessoais e baseadas apenas em troca de pequenos favores e interesses.

 

De certa forma a metamorfose de Kafka expõe as relações de interesses e trocas típicas da sociedade que vivemos. Você é um ser útil enquanto produz e de alguma forma pode atender o interesse de outrem. Em algum momento de nossas vidas todos nós nos transformamos em algo bem diferente do que sonhamos ser. O altruísmo é deixado de lado, as plataformas políticas e os sonhos são esquecidos e nos tornamos um ser tão desprezado por muitos como o homem-inseto do livro de Kafka.

 

Segundo a Wikipédia, os insetos são geralmente pequenos e têm o corpo segmentado e protegido por um exosqueleto de quitina. O corpo é dividido em três tagmas: cabeça, tórax e abdômen. Na cabeça encontram-se um par de antenas sensoriais, um par de olhos compostos, dois ou três olhos simples ou ocelos e as peças bucais: um par de mandíbulas, um par de maxilas e a hipofaringe.

 

De alguma forma, não muito bem explicada, alguns seres humanos desenvolveram repulsa aos insetos, fato talvez explicado pela falta de dedicação ao estudo da entomologia, ou porque, nós seres humanos, tenhamos medo de um dia acordamos e descobrirmos que o sentimento de asco que demonstramos a estes animalzinhos seja, também, explicado pelo medo que nutrimos de acordar um dia, como o personagem kafkiano, e descobrirmos que, em lugar de pernas, tenhamos apenas as inúmeras patinhas e em lugar dos sonhos, apenas a rotina.

 

Acho que estas pequenas divagações me levam a fazer a pergunta que é título da minha postagem, hoje:Metamorfose. Será que existe saída? Podemos nos tornar um projeto de pessoa diferente do que imaginamos ser na vida? podemos retornar nossas vidas do exato ponto de onde ela começou a desandar?

 

Creio que o primeiro grande passo a ser dado é admitirmos que alguma coisa está fora do lugar, que alguma coisa está errada, o que somos ou nos tornamos nos incomoda, nos faz sentir infelizes e que as coisas que estamos fazendo no mundo do trabalho, pessoal e emocional não podem continuar justificando a imolação dos nossos mais belos sonhos e projetos que tanto desejamos realizar.

 

Ao nos sentirmos preso no próprio quarto, como o personagem de metamorfose Gregor Samsa, temos a obrigação de desejar sair, fazer todo esforço possível para abrir a porta que nos permite encontrar um novo caminho e sentido para as nossas vidas.

 

Devemos encontrar a saída, ainda, que semelhante exemplo do personagem de metamorfose, as pessoas se assustem ao nos verem exatamente como nos estamos nos tornando, sintam repulsa, nos rejeitem, mas de algum modo, compreendam que é possível retornar ao caminho da felicidade, da justiça, da solidariedade e fraternidade.

 

 

Afinal foi para isso que fomos criados!!!!!!

 

 

Aproveito a oportunidade para convidar os leitores(as) do blog pra participar do Seminário Paisagem Interior: Processos Criativos em Literatura e Vida, que ocorrerá no IAP, dia 26, 27 e 28 de maio, de 18 às 20h. Entrada franca.

 

Estarei lá!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Por fim, dedico esta música aos causadores dos meus infortúnios:






Escrito por luiscavalcante às 13h12
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