Gostaria de explicar porque meu diário pessoal anda meio abandonado. É que eu resolvi encarar o desafio de construir e manter o blog da Coordenação em que trabalho na Secretaria de Educação do Estado do Pará. Aliás, sinceramente, acredito que seria como blogueiro e não como Coordenador de Tecnologia Aplicada à Educação - Ctae, que poderia contribuir com aquela instituição com o que eu tenho de melhor e mais gosto de fazer..
É uma pena que a profissão de blogueiro não seja reconhecida, que não exista concurso público para preenchimento do cargo e que as universidades brasileiras não tenham criado cursos para os profissionais que registram no ciberespaço os seus próprios sonho, bem como as utopias alheias.
Como a atividade de manter o blog da Ctae me consome muito tempo não posso mais manter o meu próprio blog atualizado. Mas esta noite, quando selecionava os posts que seriam publicados no blog da Ctae, nesta segunda-feira, dia 02 de março de 2009, encontrei um texto interessante enviado por um tal de Professor Giusseppe, que faz uma homenagem a passagem do dia internacional da mulher.
Giusseppe tem um estilo muito semelhante ao meu. Aliás, as ideias que defende parecem ter sido produzidas pelo meu teclado. Após ler minuciosamente suas argumentações diria que Giusseppe seria minha alma gêmea - se acreditasse nessas histórias, ou meu irmão cibernético idêntico, produzido e fecundado por um sóbit que se dividiu em dois grupos de bytes. Recorrendo aos meus rudimentares conhecimentos de biologia, Eu e Giusseppe seríamos gêmeos idênticos, monozigóticos ou univitelinos.
Como não tenho tempo para escrever o meu tradicional texto sobre a passagem do dia internacional da mulher recorrerei ao texto do meu clone digital, minha alma gêmea!!!!!!!!!!!!!!!
A todos os corações femininos
Esta semana o blog da CTAE é dedicado as mulheres. Aproveitamos a passagem do Dia Internacional da Mulher, que transcorrerá no 08 de março para prestar uma justa homenagem as mulheres de todo o mundo, que lutam por igualdade de direito, justiça e contra todas as formas de discriminação.
Gostaríamos de homenagear, especialmente, as mulheres que são educadoras, merendeiras, agentes administrativos, pedagogas, gestoras de Ures, Uses, diretoras de escolas, que exercem suas atividades profissionais na Secretaria de Estado de Educação – SEDUC e acreditam que com sua dedicação e trabalho cotidiano podem construir uma escola pública de boa qualidade, que coloque como centro da discussão pedagógica a luta das mulheres e o combate a todas as formas de discriminação e violência.
Cada mulher que trabalha na SEDUC trás em si um pouco da luta das mulheres que se destacaram na história da humanidade. Mulheres como Rachel de Queiroz - a 1ª mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras; Chiquinha Gonzaga - primeira compositora da música popular brasileira; Bherta Lutz uma das pioneiras da luta pelo voto feminino e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres no país; Maria José Rabelo Castro Mendes, a primeira mulher funcionária pública admitida em 1918, no Itamaraty; Benedita Souza da Silva Santos a primeira senadora negra do Brasil.
Nossas mulheres cabanas foram forjadas em suas próprias lutas a exemplo de mulheres de como Isa Cunha – que partiu, mas deixou seu exemplo e determinação na organização do Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade e Luzia Canuto que continua sua luta em defensa da reforma agrária. Há as que vindo de fora, a exemplo de Irmã Doroty, que se apaixonam tanto pelo povo amazônico que foram capazes de oferecer a própria vida para que de nosso solo continuasse brotando a esperança, para que nossos rios e igarapés continuem saciando a nossa sede de justiça.
A todos os corações femininos desejamos sucesso em suas lutas e reafirmamos nossos desejos de sermos companheiros (pelo menos alguns de nós) na luta travada pelas mulheres no mundo inteiro por liberdade e igualdade.
Queremos, ainda, demonstrar nosso apoio com gestos concretos, compartilhando as atividades domésticas, cuidando da educação de nossos filhos, contribuindo para acabar com a dupla jornada de trabalho e com séculos de patriarcalismo, no qual a mulher e a natureza foram e são representadas como figuras submissas e passivas frente ao poder.
Queremos, finalmente, desejar boas-vindas a todas mulheres que estão ingressando, através de concursos públicos, na SEDUC, que chegaram tão cheias de sonhos, de ideias inovadoras e com tanta vontade de mudar a realidade da educação pública.
São as nossas Anitas Garibaldi cabanas, assim descrita por um general:
“Quando o combate tornou-se mais renhido, via-se que era Anita quem mais animava os soldados do seu marido a serem valentes. Os meus oficiais, especialmente os que estavam na vanguarda, me referiram que era a combatente com a espada em punho e com seus lindos cabelos flutuantes que mais se expunha às nossas balas; que mais trabalhava pela vitória de seu marido, tendo por vezes posto em dúvida a sorte de minhas forças.
Finalmente, vendo reduzido o número de seus bravos soldados, pela morte de muitos e ferimentos de outros, como vendo-se completamente cercada por meus comandados, deixou-se aprisionar, seguida de alguns combatentes. Quando me foi apresentada estava mal vestida, desgrenhada, bem como com voz embargada, devido à tremenda luta e ao fato de ficar separada de seu marido; via-se que ela padecia horrivelmente, tendo por tudo conquistado a minha admiração, como a de meus comandados, por nunca termos pensado em ver uma mulher tão valorosa, tendo-nos enchido de maior orgulho porque era uma catarinense, uma compatriota que dava ao mundo tão sublimes provas de valor e intrepidez.
[...] apesar, ainda mais, da promessa que lhe fiz de restituí-la a seu esposo na primeira oportunidade, a denodada Anita com uma pasmosa coragem conseguiu fugir em noite tenebrosa. Quando este fato teve lugar e chegou ao meu conhecimento, fiquei penalizado por não possuí-la mais como prisioneira, mas tendo desejado que ela encontrasse o seu marido, e tirasse também da dolorosa situação em que se achava, julgando nunca mais vê-lo para sua desgraça.
Ainda agora, apesar da passagem de vinte anos, quando me recordo do seu pasmoso heroísmo, dos seus cruéis sofrimentos, das suas angústias, sinto ensoberbecer-me, por haver sido Anita minha gloriosa prisioneira, o mais honroso título da minha longa vida e o principal enfeite da minha fé de ofício.”
(Antônio de Melo Albuquerque, o Melo Manso, em uma carta que manda ao marechal Leite de Castro).