A letra da música Boa Sorte interpretada por Vanessa da Mata, talvez expresse muito bem minha relação com meu mundo de trabalho:
Boa Sorte / Good Luck(Vanessa Da Mata feat. Ben Harper)É só isso Não tem mais jeito Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer São só palavras E o que eu sinto Não mudará
Tudo o que quer me dar É demais É pesado Não há paz
Tudo o que quer de mim Irreais Expectativas Desleais
That's it There is no way It's over, Good luck
I have nothing left to say It's only words And what l feel Won't change
Everything you want to give me It too much It's heavy There is no peace
All you want from me Isn't real Expectations
Tudo o que quer me dar É demais É pesado Não há paz
Tudo o que quer de mim Irreais Expectativas Desleais
Mesmo, se segure Quero que se cure Dessa pessoa Que o aconselha
Há um desencontro Veja por esse ponto Há tantas pessoas especiais
Now even if you hold yourself I want you to get cured From this person Who poisoned you
There is a disconnection See through this point of view There are so many special people in the world so many special people in the world in the world All you want All you want
Tudo o que quer me dar /Everything you want to give me É demais / It's too much É pesado / It's heavy Não há paz / There is no peace
Tudo o que quer de mim / All you want from me Irreais/ isn't real Expectativas / Expectations Desleais
Now we're Falling into the night Um bom encontro é de dois
Veja o vídeo em : http://www.youtube.com/watch?v=Jw6TnHYUkPg Ou Clique Aqui
Escrito por luiscavalcante às 20h31
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Papo de Professor.
O FÓRUM PEREGRINO, O SANTO DAIME E A OUTRA ESCOLA POSSÍVEL Escrevo este texto após participar de dois dias do FÓRUM SOCIAL MUNDIAL, que acontece na Belém das Chuvas do Grão Pará. Confesso leitor(a) que ainda não havia escrito nada sobre o Fórum Social porque não havia encontrado as palavras certas para definir as minhas impressões sobre este momento tão lindo que estou vivenciando. Diria que o Fórum Social é a maior experiência de liberdade já construída por seres humanos. É, também, a maior demonstração de respeito a diversidade e ao direito de ser diferente que já vivenciei na vida. A única palavra que encontrei para definir o Fórum é peregrinação. Estou participando de um Fórum peregrino. Quando todos os dias eu cruzo os portões da UFRA a palavra que eu mais escuto dos participantes do evento é peregrinar. Quanto tenho andado nestes dias? Andei para participar da atividade da tenda da paz, andei para debater a questão da reforma agrária. Às vezes minhas caminhadas não dão em nada. Ando, chego no local indicado e o debate não acontece. Em outros momentos minha peregrinação é premiada com frases magnificas de Leonardo Boff que com uma voz melódica nos ensina que “tudo que existe merece existir, tudo que existe merece viver¨. Contrito como um muçulmano em Meca escuto caladinho, a Senadora Marina da Silva enlouquecer a juventude com a frase “se não formos capazes de fazer os nossos sonhos maiores que nós, a crença em outro mundo possível não existirá”. O Fórum Social Mundial é um eterno caminhar de gerações, mas, também, é um ponto de encontro. Encontro de cabelos, narizes, cor da pele, tatuagens e idiomas diferentes. É uma espécie de Babel ao contrário, onde pessoas que falam espanhol, português, inglês, francês e tantas línguas diferentes conseguem se entender perfeitamente. O fórum é pura emoção, que se contrapõe a frieza de Davos. É festa dos movimentos sociais, da juventude, das mulheres, dos negros e dos índios. É a esperança da realização dos mais lindos sonhos e clara demonstração de que o capitalismo não conseguiu destruir a bondade no mundo. Eu, Luís-peregrino, no meio daquele rio de gente termino o dia exausto. Muito cansado, mais extremamente feliz. Chego em casa molhado. A chuva tem abençoado todos os dias os participantes do Fórum Social. Lembro daquela garotada que passou por mim, com tão pouca roupa, tomando banho de chuva, marchando por um outro mundo possível. Na cama, feliz da vida, sinto que a geração que irá substituir a minha, tem plenas condições de resolver os impasses econômicos e ambientais no qual receberam o planeta Terra. Estou feliz e revigorado. Durmo e sonho a noite inteira. No segundo dia, visito a tenda dos Povos da Floresta. Não reluto em experimentar o Santo Daime. Depois da experiência as pessoas relatam suas visões. Uma menina branca, de olhos azuis, destas que parecem ter saído dos contos infantis, que lia em minha infância, relata que em sua miração viu uma grande cobra sair do Rio Guamá e atravessar a cidade de Belém até chegar ao outro lado. Em sua caminhada (afinal tudo no fórum acaba em caminhada) a cobra havia destruído toda a maldade humana, os preconceitos, intolerâncias, egoísmo, ganância e indiferença que dominava os corações de homens e mulheres que habitavam a nossa cidade. Ainda, sob o efeito do Daime passei envergonhado a relatar as visões que tive durante a miração. Na miração visitava várias escolas e encontrava professores(as), alunos(as), pais e a comunidade reunida. Reinava um clima de harmonia. Os professores(as) não reclamavam de seus salários. Todos se reuniam em torno de uma mesa redonda e discutiam as atividades coletivamente. As crianças propunham temas que gostariam de estudar. A diretora escutava atentamente a exposição de uma mãe de aluno(a). A Escola não tinha grades, nem sistemas de alarmes, há anos não existia um único furto na sala de informática. Os professores(as) acreditavam em seus alunos (as). Todos tinham vontade de ir a escola. Olhei e vi um corredor. Comecei a caminhar por ele e a cada passo que dava sentia mais fortemente o cheiro de patchulim. Cheguei a sala de informática. Era linda! Todos os computadores estavam ligados e os alunos publicavam na internet as conclusões a que chegaram a partir da discussão dos temas com os professores(as). Vi de um monitor de computador saltar um Boto, que assumindo a forma humana, sorrateiramente tentava conquistar umas professoras. Em um cantinho da sala havia uma mulher feia e triste. Lembrei-me, então, daquele rosto tão singular e sem graça. Era a dona burocracia, aquela senhora que adorava enterrar os meus sonhos, quando trabalhava na sede da SEDUC. Ela era o único ser vivo que merece viver, o único ser vivo que merece existir, infeliz com a felicidade alheia. Estendi a mão para ela, mas ela recusou e não correspondeu ao meu gesto. Talvez se sentisse humilhada, talvez não sentisse tesão ou a felicidade de outros tempos. Então retrocedi e sai da sala. Meu coração estava a mil quando regressei pelo corredor perfumado. Foi quando percebi que haviam, finalmente, abolido as portas das escolas. Caminhei pela rua e encontrei milhares de crianças em marcha, umas eram negras, outras palestinas, que dançavam e gritavam palavras de ordem. As vi destruindo os muros, arrancando as grades e convocando todos os seres vivos para a grande festa, a festa da justiça, a festa da fraternidade. Amanhã cedo não irei ao trabalho. Que se dane a SEDUC. Se quiser me encontrar é só passar na Barraca dos Povos da Floresta...
Escrito por luiscavalcante às 22h39
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