Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.(2 Timóteo 4:7)
Um pedido: "quando eu morrer me enterrem na internet".
Volenti nihil difficile (1)
Aproveito minhas férias para voltar a escrever, em meu diário virtual, sobre temas ligados ao contexto político que vivemos no estado do Pará.
Tem me chamado atenção as últimas decisões tomadas pelo Poder Judiciário paraense, que nos tempos do tucanato, do governo do faz de contas, jamais moveu sequer uma ação contra o Poder Executivo, bem como a repercussão na imprensa das medidas que paralisaram obras estratégicas do governo popular, determinaram a indisponibilidade de bens de Secretárias de Estado e obrigaram o governo popular a demitir os seus últimos trabalhadores temporários, que em sua grande maioria foram contratados – sem questionamentos judiciais, nos governos de Almir Gabriel e Simão Jatene.
Alguém que tenha pelo menos meia dúzia dos 86 bilhões de neurônios que temos no cérebro deve desconfiar de como o Judiciário paraense, que não é exemplo de boa conduta pra ninguém, de uma hora para outra se transformou em um árduo defensor dos princípios da moralidade pública e dos interesses dos cidadãos, especialmente os mais pobres, que em geral levam anos para terem suas causas julgadas naquele poder.
Somente um anencéfalo acreditaria que as liminares concedidas a pedido do Ministério Público Estadual são desprovidas de intencionalidade política. Aliás, o Ministério Público não teve coragem de denunciar Almir Gabriel, o ex-governador do estado do Pará, como responsável pelo massacre no ocorrido no dia 17 de abril de 1996, na curva do "S", onde 155 policiais militares, divididos em duas tropas, cercaram e atacaram com armas de fogo uma manifestação de trabalhadores rurais sem terra que bloqueavam a estrada para reivindicar a realização da reforma agrária, e assassinaram 19 trabalhadores.
Um bom analista politico julgaria que as decisões tomadas em bloco pelo Juiz Marco Antonio Castelo Branco tem uma clara intenção política e visam paralisar obras importantes ligadas ao Projeto Via Metrópole e desqualificar ações como a distribuição de Kits escolares pela SEDUC, que em geral não são entendidas pela elite conservadora e pelo Partido da Imprensa Golpista paraense, que nunca colocaram os pés em uma única escola pública.
A liminar que determina a demissão dos temporários é muito enigmática. Nos doze anos do tucanato marajoara alguém lembra de alguma ação do Ministério Público do Estado do Pará que obrigasse o governo a demitir ou admitir trabalhadores temporários? Foi no governo popular que se realizou a maior quantidade de concursos públicos e substituição de servidores temporários, que se rompeu com o clientelismo eleitoral e permitiu a melhoria da qualidade do ensino público, através do acesso democrático de trabalhadores ao serviço público baseado no critério de competência profissional.
Ana Júlia teve de demitir funcionários com mais de 60 anos de idade, que dificilmente conseguirão uma nova oportunidade de emprego e quais medidas foram propostas pelo Poder Judiciário para responsabilizar aqueles que promoveram o clientelismo político e enganaram os servidores públicos? Pelo que sei quando Almir Gabriel não está dizendo asneiras descansa feliz no interior de São Paulo, enquanto Jatene continua se dedicando as suas pescarias.
O poder Judiciário do Estado do Pará mudou? Creio que não, mas apenas resolveu dar uma mãozinha a seus antigos aliados no pleito que se aproxima. Ainda bem que o estado do Pará não é Honduras e Belém não é Tegucigalpa.
A repercussão das medidas tomadas pelo Poder Judiciário no jornal da família Barbalho acabou revelando que o chamado Núcleo de Poder-NP que influencia as decisões da Governadora do Estado do Pará tem metido os pés pelas mãos.
O NP parece ter dificuldades em resolver problemas simples do mundo da política. Tanto Charles Alcântara, bem como o atual ocupante da Casa Civil Cláudio Puty parecem ter esquecido que na política os aliados que nos interessam são aqueles que possuem votos e voto é a moeda mais valiosa e cobiçada por alguém que tenha pretensão de chegar ou se manter no poder. Esqueceram, ainda, que políticos sem máquinas partidárias são como peixinhos fora d'agua, morrem rápido por falta de oxigênio e que alianças políticas são como casamentos quando mal administrados terminam inexoravelmente em divórcios litigiosos.
O que Ana Júlia e Núcleo de Poder precisam resolver urgentemente é se o PMDB continuará integrando a base aliada ou será desembarcado do governo, deixando assim, a sua base de apoio na Assembléia Legislativa. Não é mais possível continuar adiando decisões, alimentando desconfianças ou criando instabilidade que conduzam o governo popular a derrotas na ALEPA ou a desgastes desnecessários. É preciso, também, unificar o próprio partido da governadora e fazer todas as repactuações necessárias, inclusive com eventuais substituições de Secretários para que o PT marche unido nas eleições que se avizinham.
Mas é preciso tomar decisões e fazer as opções corretas...
Uma coisa é certa, na política não se pode tratar aliados como adversários, ou se desprezar um partido com a capilaridade e influência que o PMDB tem no estado do Pará, principalmente quando a avaliação do governo popular não é a mesma do presidente LULA.
Depois de amanhã (03/07/2009) comemorarei os meus 49 nove anos de vida. A festa será bem singela, haverá apenas almoço com a participação de alguns colegas de trabalho e dos poucos amigos que conseguir agregar na vida.
Em matéria de conquistar amigos sou um fracasso. Mas meu fracasso às vezes se revela uma vantagem, pois assim não tenho que perdê-los ou me decepcionar com eles(as).
Nunca imaginei como seria a festa dos meus 49 anos. Aliás, nunca tive problema com a ideia de envelhecer. A vida é um ciclo e é tão bonita. Sinceramente gosto de ver no espelho meus cabelos brancos. Que bacana. Cheguei aonde muito dos meus companheiros de infância ou adolescência não conseguiram. Infelizmente!
Lembro-me que quando era um adolescente imaginava como seria a minha vida de adulto, a mulher que eu iria amar e, principalmente, como seria meu filho.
Sonhei várias noites com este momento!
Maria - que conheci em uma assembléia de professores(as), sempre foi uma companheira extraordinária, meu ponto de equilíbrio.
Yuri, meu filho, cresceu e hoje está concluindo seu curso universitário. É usuário software livre e não herdou as orelhas grandes do pai. Não sou um pai coruja, mas meu menino se tornou um homem muito bonito, sensível e inteligente. Puxou a mãe!!!
Fui um jovem rebelde, um militante que lutou pela a redemocratização do meu país e pelas liberdades que, finalmente, acabamos conquistando.
Sinceramente não há coisa melhor no mundo que a democracia, ainda, com suas imperfeições, com suas eleições que podem ser influenciadas pelo poder econômico, pelas máquinas partidárias e pelo poder das mídias tradicionais e decadente.
Ainda, que as liberdades democráticas e os direitos assegurado a boa parcela de nosso povo seja uma formalidade, a democracia é uma conquista, também, das camadas populares e pode ser radicalizada e aperfeiçoada.
Você leitor deve concluir - a partir dessa afirmação, que o jovem radical e revolucionário virou reformista-pacifista.
Tem toda razão!
Que bom, que ao completar 49 anos de idade, veja o Brasil ser governado por um operário que é uma referência no mundo pelo seu carisma e pelos programas sociais que implantou ou melhorou.
Que bom que um descendente da etnia aymará governe a Bolívia e que Hugo Chaves seja o Presidente da Venezuela.
Que bom, também, que a imprensa tradicional já não seja mais o terceiro poder no Brasil e no mundo, pois hoje nós temos os blogues (e outras ferramentas paridas pela internet) que felizmente vêm ocupando um espaço alternativo importante na formação da opinião pública.
Munidos dessas novas ferramentas podemos produzir nossos próprios conteúdos, argumentos e juízos de valores.
Que bom que ao completar mais um ano de vida constato que o meu país melhorou muito, que temos muito problemas para resolver, seja na educação, saúde ou no combate a injusto modelo de distribuição de renda.
Que bom, ainda, que para que o Brasil melhorasse não foi necessário realizar uma revolução armada que levasse “a classe operária ao paraíso”.
Aos 49 anos de idade a única revolução desejável e que estou realmente envolvido é a revolução educacional.
A melhoria da infraestrutura de nossas escolas, dos salários dos educadores, o desenvolvimento de uma cultura de paz, a introdução das chamadas novas tecnologias educacionais, o uso de softwares livres, a construção de um ensino crítico e libertador são causas que eu continuarei defendendo nos próximos 31 anos de minha existência.
Quando completar 80 aninhos celebrarei – com os poucos amigos que restarem, a conquista da dignidade com ensino público de qualidade.
Tenho certeza e paciência.....
Lembro que muitas vezes na vida a letra da música Ideologia de Cazuza e Frejat foi uma realidade para aquele jovem sonhador, mas o tempo sempre nos reserva surpresas, o tempo é o senhor de tudo...
Alguns dos meus amigos chegaram ao poder. Ao vê-los tão diferentes, tão emplumados cheguei a conclusão que o poder só evidencia o que temos de pior, de egoísta e prepotente. Ele não nos faz mau, mas apenas dar vazão aos nossos sentimentos mais mesquinhos.
(Ideologia)
“Meu partido É um coração partido E as ilusões Estão todas perdidas Os meus sonhos Foram todos vendidos Tão barato Que eu nem acredito Ah! eu nem acredito…
Que aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Frequenta agora As festas do “Grand Monde”…
Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma prá viver Ideologia! Eu quero uma prá viver
O Governo Popular do Estado do Pará tem muito a aprender sobre software livre com o governo de Luis Inácio da Silva.
Um dia desses precisamos realizar um curso sobre Domínio Publico e o Portal do Professor na Escola de Governo do Estado do Pará e não foi surpresa encontrarmos somente um conhecido sistema operacional proprietário instalado nos computadores daquela instituição, apesar da célebre decisão da COSITE afirmar que a prioridade do governo é o uso de sistemas de códigos livres.
Leia o que Lula falou sobre a Microsoft e liberdade em um encontro sobre software livre realizado em Porto Alegre:
Economia
Lula falou sobre as iniciativas adotadas para a área do software livre --o governo afirma ter economizado R$ 372 milhões com a adoção desse tipo de plataforma. Segundo Lula, houve uma "tensão imensa" entre os que defendiam a adoção do software livre e os contrários à ideia.
"Nós tínhamos que escolher: ou nós íamos para a cozinha preparar o prato que nós queríamos comer, com os temperos que nós queríamos colocar e dar um gosto brasileiro na comida, ou nós iríamos comer aquilo que a Microsoft queria vender para a gente. Prevaleceu, simplesmente, a ideia da liberdade", afirmou o presidente, no discurso.
Ele também ressaltou as mudanças sociais geradas pela informatização da sociedade, mas afirmou ser "analfabeto nesta questão da internet". "Meus filhos são todos doutores perto de mim", afirmou o presidente. "É a primeira vez que os netos são mais sabidos do que os avós."
Cristiano Sant´Anna/indicefoto.com
Bem que Ana Júlia deveria seguir seu exemplo!!!!!
Fonte do texto: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u587191.shtml
A matéria publicada, hoje, no Jornal O liberal (http://www.orm.com.br/) revela a agonia da greve dos professores(as) de um movimento que tinha tudo para ser vitorioso, mas que comandada por uma direção - que precisava urgentemente ser atualizada em uma dessas escolas de formação Sindical- foi conduzida a uma fragorosa derrota.
Dirigentes sindicais amadores, fortemente motivados por disputas políticas e ideológicas tendem a repetir erros primários e a subestimar as reações do governo. Dirigentes sindicais competentes sabem muito bem que dirigir movimentos grevistas é semelhante a decolar e pousar aviões nos mais modernos navios de guerra.
O menor erro, seja do piloto ou da tripulação, produz um desastre com consequências irreversíveis.
Nossos pilotos do SINTEPP parecem não ter a formação sindical necessária, e nem a habilidade política para separar seus objetivos estratégicos partidários (legítimos) dos interesses imediatos da categoria que dirigem.
Por sectarismo e miopia política parcela da direção do SINTEPP parece ter perdido o gancho de cauda e condenado o movimento legítimo dos professores(as) a uma derrota inevitável. Aliás, a grande maioria dos educadores percebendo as estratégias inconseqüentes de sua direção sindical parecem tê-la abandonado a própria sorte. Para os professores(as) a única alternativa é retornar ao trabalho.
Quando um lutador de boxe decide bater e massacrar seu adversário objetivando derrotá-lo no primeiro assalto e não leva em conta a estratégia oponente, será ele quem beijará a lona.
Nos últimos assaltos da luta de box que se transformou a contenda entre o estado e o sindicato foi o governo que saiu das cordas e disferiu dois poderosos diretos, que levou a nocaute os que comandam o SINTEPP.
O primeiro golpe foi a manutenção da liminar judicial que considera ilegal a greve dos professores da rede estadual de ensino, pelo desembargador Leonardo Tavares, do Tribunal de Justiça do Estado (TJE) do Pará e o segundo atingiu em cheio a frágil contabilidade do Sindicado endo desferido pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) que solicitou a execução da multa determinada pelo juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital, Marco Antonio Castelo Branco, a ser paga pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública no Pará (Sintepp).
Estonteada e abalada a direção do SINTEPP tenta manter seu fluxo de caixa e evitar um enorme desgaste junto a categoria. Como saída, propõe uma reunião com a Secretária de Educação para discutir o não desconto dos dias parados e a perda de seu parco patrimônio constituído em mais de vinte anos de existência.
Comparada a poderosa APEOSP, o SINTEPP é uma entidade desorganizada e bisonha. Aliás, o SINTEPP sequer aprendeu a utilizar os novos recursos tecnológicos a favor da organização do movimentos dos trabalhadores em educação. Sua página na internet é simplória, suas postagens são fracas, mau escritas e pouco atrativas aos seus leitores.
Para esclarecer o que quero dizer peço para o leitor(a) que visitem a página da APEOSP (http://apeoespsub.org.br/) e comparem com pagina mantida na internet pelo SINTEP (http://www.sintepp.org.br). Tire suas próprias conclusões....
Na próxima segunda-feira (15/06) quando a Direção do SINTEP se dirigir às portas da SEDUC a greve estará praticamente encerrada nas escolas. Um sindicalista experiente pensaria duas vezes em tentar voltar à mesa de negociação em condições tão adversas.
Os mais sensatos pensarão que seria melhor ter pousado o avião no momento certo, quando os dias parados não seriam descontados e se poderia encerrar a greve proclamando a vitória por se ter conseguindo arrancar do governo o realinhamento dos salários.
Mas quase sempre o esquerdismo infantil conduz movimentos justos a ilegalidade e, inevitavelmente, a derrota.
Quanto ao governo, creio que seguirá caminhos diferentes dos defendidos por mim aqui no blog.
Pela primeira vez, para o governo (ainda que dividido quanto ao que fazer) derrotar a direção do SINTEPP não significaria creditar mais desgaste do que já vem acumulando....
Como diria César, ao atravessar o rio Rubicão: alea jacta est!!!!
Há um livro que adorei ler, apesar de sua atmosfera um pouco sombria e de sua linguagem meio ácida e às vezes cética sobre nós seres humanos.
Trata-se de Metamorfose, de Franz Kafka, um livro que lido a luz do nosso cotidiano pode nos ajudar muito a compreender nossas atitudes e descobrir em que momento perdemos nossa face humana. Somos transformados em algo diferente do que sonhamos e, talvez, por isso já não somos mais útil ao agrupamento que pertencemos ou a “sociedade que ajudamos a criar”.
Um certo dia você acorda e já não se reconhece mais, você já não é mais a mesma pessoa, paulatinamente deixou se transformar em outra coisa, um inseto ou um homem insensível às coisas que sempre acreditou. No local em que trabalha, as pessoas são indiferentes a sua transformação. Você deixa e ir ao trabalho e as pessoas sequer percebem sua ausência, pois as relações estabelecidas são impessoais e baseadas apenas em troca de pequenos favores e interesses.
De certa forma a metamorfose de Kafka expõe as relações de interesses e trocas típicas da sociedade que vivemos. Você é um ser útil enquanto produz e de alguma forma pode atender o interesse de outrem. Em algum momento de nossas vidas todos nós nos transformamos em algo bem diferente do que sonhamos ser. O altruísmo é deixado de lado, as plataformas políticas e os sonhos são esquecidos e nos tornamos um ser tão desprezado por muitos como o homem-inseto do livro de Kafka.
Segundo a Wikipédia, os insetos são geralmente pequenos e têm o corpo segmentado e protegido por um exosqueleto de quitina. O corpo é dividido em três tagmas: cabeça, tórax e abdômen. Na cabeça encontram-se um par de antenas sensoriais, um par de olhos compostos, dois ou três olhos simples ou ocelos e as peças bucais: um par de mandíbulas, um par de maxilas e a hipofaringe.
De alguma forma, não muito bem explicada, alguns seres humanos desenvolveram repulsa aos insetos, fato talvez explicado pela falta de dedicação ao estudo da entomologia, ou porque, nós seres humanos, tenhamos medo de um dia acordamos e descobrirmos que o sentimento de asco que demonstramos a estes animalzinhos seja, também, explicado pelo medo que nutrimos de acordar um dia, como o personagem kafkiano, e descobrirmos que, em lugar de pernas, tenhamos apenas as inúmeras patinhas e em lugar dos sonhos, apenas a rotina.
Acho que estas pequenas divagações me levam a fazer a pergunta que é título da minha postagem, hoje:Metamorfose. Será que existe saída? Podemos nos tornar um projeto de pessoa diferente do que imaginamos ser na vida? podemos retornar nossas vidas do exato ponto de onde ela começou a desandar?
Creio que o primeiro grande passo a ser dado é admitirmos que alguma coisa está fora do lugar, que alguma coisa está errada, o que somos ou nos tornamos nos incomoda, nos faz sentir infelizes e que as coisas que estamos fazendo no mundo do trabalho, pessoal e emocional não podem continuar justificando a imolação dos nossos mais belos sonhos e projetos que tanto desejamos realizar.
Ao nos sentirmos preso no próprio quarto, como o personagem de metamorfose Gregor Samsa, temos a obrigação de desejar sair, fazer todo esforço possível para abrir a porta que nos permite encontrar um novo caminho e sentido para as nossas vidas.
Devemos encontrar a saída, ainda, que semelhante exemplo do personagem de metamorfose, as pessoas se assustem ao nos verem exatamente como nos estamos nos tornando, sintam repulsa, nos rejeitem, mas de algum modo, compreendam que é possível retornar ao caminho da felicidade, da justiça, da solidariedade e fraternidade.
Afinal foi para isso que fomos criados!!!!!!
Aproveito a oportunidade para convidar os leitores(as) do blog pra participar do Seminário Paisagem Interior: Processos Criativos em Literatura e Vida, que ocorrerá no IAP, dia 26, 27 e 28 de maio, de 18 às 20h. Entrada franca.
Estarei lá!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Por fim, dedico esta música aos causadores dos meus infortúnios:
Tenho viajado por muitos municípios e conversado com funcionários, professores(as) e Secretários Municipais de Educação sobre a crise financeira do sistema capitalista internacional - gerada no coração do império, e em suas falas, a crise já é uma realidade.
Há prefeituras municipais que sofreram quedas na arrecadação de até quarenta porcento, o que dificulta, ainda mais, o atendimento das demandas da população, principalmente na áreas de saúde e educação. Se estes serviços já são prestados de forma precários a população, infelizmente, em época de crise financeira, o atendimento dessas demandas tendem a se deteriorar ainda mais.
Na SEDUC, os efeitos da crise financeira internacional já é uma realidade concreta e o Governo do Estado do Pará já deve ter iniciado ou terá que fazer, inevitavelmente, um contingenciamento dos recursos orçamentários, o que deve afetar projetos e ações de todas as secretárias estaduais.
Em época de crise e de escassez de recursos, precisamos saber agir. Necessitamos ter uma visão clara do que é prioridade para o governo e de quais projetos serão congelados até que a crise financeira de alguma forma seja resolvida.
Em época de crise é preciso manter a calma, estabelecer prioridades e, principalmente, ter a compreensão que é preciso fazer muito com o pouco disponível. Cada coordenação, diretoria, cada Secretaria precisará está disposta a abrir mão de seus projetos, de parcelas de recursos para que aquilo que é prioridade na SEDUC possa ser executado e chegue no chão da escola.
Nossa prioridade zero é resolver os problemas de infraestrutura das escolas e corrigir as distorções salariais geradas pelo realinhamento do salários mínimo, a nível nacional. As contestações e reclamações dos trabalhadores(as) da educação neste sentido me parecem justas e a correção desta injustiça deve ser nossa principal prioridade.
Os trabalhadores(as) da educação sabem muito bem que, em período de crises, a principal tarefa a ser colocada na ordem do dia é a defesa do emprego e a manutenção das conquistas históricas dos trabalhadores(as). Portanto, questões como a reposição de perdas históricas já não são prioridade em sua pauta de reivindicações.
Aliás, em relação ao movimento do funcionalismo público estadual precisamos aprender com as lições das greves que ocorreram em 2008. Um governo popular jamais poderá recorrer a qualquer tipo de atitude que criminalize os movimentos dos trabalhadores. Não poderá aceitar em hipótese alguma que sejam utilizados os aparatos repressivos do estado para reprimir movimentos justos,de trabalhadores(as) e, principalmente, quando a estratégia de alguns grupos políticos, que dirigem o sindicato, seres vivente da idade da pedra do movimento sindical, é apostar num confronto direto com o governo.
Nossa governadora que foi eleita com voto maciço dos movimentos sociais e, em especial, os dos trabalhadores(as) em educação deve receber os representantes eleitos pela categoria para negociar suas reivindicações e explicar pacientemente todas as dificuldades que herdamos no governo e as novas que a crise econômica acrescentou. Em momento algum a tarefa de negociar com movimentos grevistas deve ser delegada a terceiros, bem como as decisões que precisam ser tomadas em momento de crise, para que não tenhamos depois que publicamente pedir desculpas por erros cometidos. Não se pode pedir desculpas sempre.
A SEDUC, também, não deve abrir mão de ter um papel decisivo em dialogar com os movimentos dos trabalhadores(as) em educação. Neste sentido, foi acertada a decisão de manter uma mesa de negociação permanente com o SINTEPP, durante o primeiro semestre de 2009. Em caso de impasse é preciso chamar para si a capacidade de buscar a criação de novos consensos e dialogar exaustivamente com os representantes sindicais.
Como resultado do aprendizado da greve de 2008 aprendemos, também, que os dirigentes de Uses e DAS do nosso governo são mais úteis à Secretaria e a sociedade não participando de atividades que se caracterizam como espaços não-estatais, que pela sua própria dinâmica são fóruns específicos dos trabalhadores(as) de educação.
Não devemos reproduzir os erros do grupo majoritário que dirige o sindicato, que mobilizava DAS e funcionários contratados para impedir a realização de movimentos reivindicatórios quando dirigiam a Prefeitura de Belém, sob o argumento que aqueles movimentos eram conduzidos por grupos políticos de direita.
O ano de 2009 será, sem dúvida, o mais difícil para o governo popular, mas se aprendermos com os erros cometidos, se tivermos a capacidade de fazer muito com poucos recursos financeiros e se soubermos conduzir com sabedoria e coerência os conflitos, que podem ocorrer com os movimentos sociais, talvez assimilemos a velha máxima popular que é sob pressão que o feijão amolece.
É sob pressão que teremos que governar melhor!!!!!!
as minhas afirmações anteriores sobre determinado problema,
mas em ser coerente com a verdade." (Gandhi)
Caro leitor(a),
Hoje é um dia importante pra mim. É o dia em que anuncio aos meus leitores(as) que dei mais um passo importante no sentido de transformar a mim mesmo. Hoje, anuncio que me converti aos princípios da Satiagraha de Ghandi.
Agora sou um pacifista, adepto dos princípios da não-violência e da desobediência civil.
Semelhante a uma borboleta que não é mais uma lagarta, que já não é mais uma crisálida, me sinto livre para comunicar que não resta mais nada em mim que me identifique com o marxismo-leninismo ou qualquer outra convicção política que se fundamente na possibilidade de agrupamentos de homens ou mulheres que se imponham pela força aos seus semelhantes.
A Satiagraha é um princípio defendido por Ghandi. A palavra significa a busca pela verdade. Ghandi colocou em prática este princípio na célebre marcha do Sal, que era proibido de ser produzido na Índia pela Coroa inglesa. Ghandi foi seguido por milhares de pessoas até o litoral, onde pegou na praia o seu próprio sal. Foi um ato de desobediência civil, baseado na ideia da não-violência, que entende que uma resposta violenta aos nossos oponentes nos torna iguais aos que nos dominam.
A Satiagraha não tem nada a ver com passividade, mas se baseia em ações que desestabilizam nossos adversários, em virtude de nossas convicções na verdade e na certeza da coerência de nossos propósitos. Implica, também, em dizermos a verdade aos nossos oponentes e aliados, ainda, que a verdade possa parecer inconveniente ou abalar relações construídas no decorrer de uma vida.
Meu encontro com a Satiagraha aconteceu muito cedo, mas rechacei-a de imediato.Estudava, então, no Seminário São Pio X e alguns alunos eram adeptos do princípios da não-violência. Estes ideais sempre me pareceram utópicos, pois sustentavam a possibilidade de produzir transformações sociais pela via pacífica, sem se igualar as ações dos dominadores.
Eu, ainda adolescente, fiz uma opção totalmente diferente e passei acreditar que as mudanças sociais só poderiam acontecer através da luta armada, da destruição do estado burguês e implantação da sociedade comunista.
Li, então, algumas obras de Lênin, entre elas O Que Fazer e o Estado e a Revolução que me reforçaram a crença de que a consciência política de classe não pode ser levada ao operário senão do exterior e que não existe revolução sem um partido revolucionário. Quem não se enquadrasse “neste protótipo revolucionário” era considerado, por mim, reformista e inimigo das classes trabalhadoras. E assim deveria ser tratado....
Ora a Satiagraha é um princípio mais poderoso que qualquer teoria revolucionária. Ela nos ensina que a verdade e a não-violência (não agressão a um ser vivo) significam a mesma coisa. Neste sentido, a luta pela verdade (pela justiça, pelo bem) é sempre uma luta não-violenta.
Ora, todos nós devemos praticar os princípios da Satiagraha, seja na família, nas escolas ou no trabalho. Não devemos impor a ninguém as nossas posições, mas, pacientemente, convencer as pessoas da justeza de nossas crenças. Se o seres humanos seguem nossas ideias por medo do cargo que ocupamos, o que defendemos será como a semente plantada em uma terra árida, provavelmente não germinará e os nosso projetos deixarão de existir quando o poder que possuímos se extinguir.
A Satiagraha é paciente, espera que as pessoas compreendam a justeza dos nossos propósitos, não utiliza-se da coerção para eliminar seus adversários, não escolhe o caminho fácil ou atalhos, mas trabalha, pacientemente, para que seus adversários compreendam que somente atitudes não-violentas são verdadeiramente revolucionárias.
ASatiagraha não objetiva obtera vitória ou a derrota de cada uma das partes conflitantes, mas antes uma nova ordem harmônica.
O meu objetivo, a partir de hoje, não é dominar ninguém ou impor minhas convicções a quem quer que seja, mas apenas manter-me firme na certeza da verdade e no princípio da não-agressão e esperar, pedagogicamente, que as pessoas compreendam os propósitos dos projetos que participo.
Afinal a chegada da idade da razão deve servir pra fazermos um inventário de nossas vidas, um balanço de nossos acertos e admissão de nossos erros. A idade da razão é o início de um novo ciclo - talvez o último de minha vida, por isso, seja necessário fazer um ajuste de conta com meu passado.
Parodiando o apóstolo Paulo: Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a maduridade, a única coisa boa a preservar eram as coisas de menino. (Coríntios 13:11)
"Se queres mudar ao mundo, muda-te a ti mesmo." [ Ghandi ]
Caro leitor(a)
Como é de conhecimento de muitos leitores(as) do blog há muitos anos não sou mais filiado ao Partido dos Trabalhadores. Pelo PT, fui o primeiro vereador de esquerda eleito no município de Ananindeua e tive um mandato marcado pela denúncia a corrupção política e eleitoral, que até hoje campeia lá na terra do anani.
Era um parlamentar muito jovem e praticamente o único de oposição numa câmara de vereadores composta por quinze edis. Em meu mandato fui preso por defender o interesse de estudantes e de trabalhadores informais. Foram prisões ilegais que me fizeram frequentar a mala do carro da polícia federal ou a escuridão e a solidão da cela do carro do Patam.
Devido a natureza combativa de minha atividade parlamentar e a minha imprudência juvenil tive meu mandato suspenso por 90 (noventa) dias e só não fui cassado devido a intervenção do deputado Federal Paulo Rocha, a quem de uma forma tão deselegante e descortês, nunca agradeci pela demonstração de solidariedade, atitude tão rara entre os militantes das diferentes correntes internas petista.
Em alguns momentos tive que frequentar a Câmara de Vereadores portando arma (uma bonita e inútil pistola) para proteger minha própria vida. A morte muito mal explicada de um parlamentar do PMDB na legislatura seguinte comprovaria que meus temores não eram de todo infundado.
O dia em que perdemos a eleição por não alcançamos o quociente eleitoral foi um dos mais tristes de minha vida. Chorei, a derrota tem um sabor amargo, pois acreditava que a nossa atuação na câmara municipal tinha cumprido os objetivos partidários de mostrar o caráter burguês do parlamento e de apoiar a organização dos trabalhadores(as). Como era tolo!!!!!!
Mas talvez a constatação mais dura daqueles quatro intermináveis anos de atuação parlamentar era que o PT havia mudado significativamente e que o contato com a institucionalidade o havia contagiado com o gosto pelo poder e todas as vantagens e desatinos que ele pode propiciar.
Um dia escrevi um texto e enviei por fax para o Diretório Municipal de Belém comunicando minha desfiliação partidária. Não tive coragem de entregar aquela carta pessoalmente, pois é difícil para quem, ainda, é apaixonado, assinar o documento que consuma sua separação do ente amado.
Naquele dia deixei de me considerar militante petista, mas ficaram as lembranças bonitas e os momentos de frustrações, as lembrança do dia que descobri que companheiros de nossa organização interna espancavam suas esposas, de que não agiam de forma ética no trato do dinheiro partidário.
Em muitos momentos, em nome do centralismo democrático, tive que acobertar muitas condutas equivocadas dos companheiros da tendência que violavam a suposta ética socialista que tencionávamos implantar no mundo. Em nome do socialismo e da justiça social fraudamos atas de eleições internas, pagamos cabos eleitorais para ajudar na campanha e fomos, gradativamente, nos tornando iguais aos nossos adversários que tínhamos por objetivo derrotar.
Tudo de equivocado que fizemos passou a ser justificado em nome da luta pela libertação das classes trabalhadoras, pela implantação do socialismo, pela destruição do estado burguês e a edificação da sociedade sem classes.
Esquecemos apenas de confrontar nossas práxis com a velha máxima cristã descrita na parábola do mordomo infiel:”Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito”. Creio que foi por estas pequenas frestas, abertas em nossas veias partidárias, que o vírus do mensalão foi introduzido, provocando tanto desgaste e vitimando tantos importantes dirigentes do PT.
Mas a Fênix vermelha se recompôs e re-elegeu Lula presidente e Ana Júlia Governadora do Estado do Pará. Votei em Lula em todas eleições para presidente em que ele se candidatou, exceto na última que o apoiei no segundo turno. Hoje, olhando a maneira que LULA enfrenta a crise internacional e os programas sociais que implantou no Brasil apoiaria sua re-eleição ilimitada semelhante ao direito que conseguiu Hugo Chaves na Venezuela, através de um referendum.
Quanto a Ana Júlia - apesar de todas as dificuldades que vem enfrentando no governo, ela já aprendeu a lição fundamental que todo governante do PT deve aprender, a de que para governar a favor do povo é preciso contrariar algumas tendências internas petistas. Para constatar seu aprendizado basta ler com atenção O Diário Oficial do Estado.
Não tenho dúvida que Ana Júlia será re-eleita governadora. Será re-eleita menos pela eficiência de seu governo e mais porque quando um anjo a trouxe ao mundo e a colocou no berçário, o médico deve ter vaticinado a dona Maria José Vasconcelos Carepa : “a menina é bonita e saudável e será guiada, como diz o ditado popular, pela estrela da sorte”.
(*) Escrevi o texto enquanto aguardava minhas duas sobrinhas serem atendidas na UNIMED da Br-316.
Enquanto digitava, escutava a nossa classe média destilar seu preconceito afirmando que o atendimento pelo qual paga mais parece o SUS.
Gostaria de explicar porque meu diário pessoal anda meio abandonado. É que eu resolvi encarar o desafio de construir e manter o blog da Coordenação em que trabalho na Secretaria de Educação do Estado do Pará. Aliás, sinceramente, acredito que seria como blogueiro e não como Coordenador de Tecnologia Aplicada à Educação - Ctae, que poderia contribuir com aquela instituição com o que eu tenho de melhor e mais gosto de fazer..
É uma pena que a profissão de blogueiro não seja reconhecida, que não exista concurso público para preenchimento do cargo e que as universidades brasileiras não tenham criado cursos para os profissionais que registram no ciberespaço os seus próprios sonho, bem como as utopias alheias.
Como a atividade de manter o blog da Ctae me consome muito tempo não posso mais manter o meu próprio blog atualizado. Mas esta noite, quando selecionava os posts que seriam publicados no blog da Ctae, nesta segunda-feira, dia 02 de março de 2009, encontrei um texto interessante enviado por um tal de Professor Giusseppe, que faz uma homenagem a passagem do dia internacional da mulher.
Giusseppe tem um estilo muito semelhante ao meu. Aliás, as ideias que defende parecem ter sido produzidas pelo meu teclado. Após ler minuciosamente suas argumentações diria que Giusseppe seria minha alma gêmea - se acreditasse nessas histórias, ou meu irmão cibernético idêntico, produzido e fecundado por um sóbit que se dividiu em dois grupos de bytes. Recorrendo aos meus rudimentares conhecimentos de biologia, Eu e Giusseppe seríamos gêmeos idênticos, monozigóticos ou univitelinos.
Como não tenho tempo para escrever o meu tradicional texto sobre a passagem do dia internacional da mulher recorrerei ao texto do meu clone digital, minha alma gêmea!!!!!!!!!!!!!!!
A todos os corações femininos
Esta semana o blog da CTAE é dedicado as mulheres. Aproveitamos a passagem do Dia Internacional da Mulher, que transcorrerá no 08 de março para prestar uma justa homenagem as mulheres de todo o mundo, que lutam por igualdade de direito, justiça e contra todas as formas de discriminação.
Gostaríamos de homenagear, especialmente, as mulheres que são educadoras, merendeiras, agentes administrativos, pedagogas, gestoras de Ures, Uses, diretoras de escolas, que exercem suas atividades profissionais na Secretaria de Estado de Educação – SEDUC e acreditam que com sua dedicação e trabalho cotidiano podem construir uma escola pública de boa qualidade, que coloque como centro da discussão pedagógica a luta das mulheres e o combate a todas as formas de discriminação e violência.
Cada mulher que trabalha na SEDUC trás em si um pouco da luta das mulheres que se destacaram na história da humanidade. Mulheres como Rachel de Queiroz - a 1ª mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras; Chiquinha Gonzaga - primeira compositora da música popular brasileira; Bherta Lutz uma das pioneiras da luta pelo voto feminino e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres no país; Maria José Rabelo Castro Mendes, a primeira mulher funcionária pública admitida em 1918, no Itamaraty; Benedita Souza da Silva Santos a primeira senadora negra do Brasil.
Nossas mulheres cabanas foram forjadas em suas próprias lutas a exemplo de mulheres de como Isa Cunha – que partiu, mas deixou seu exemplo e determinação na organização do Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade e Luzia Canuto que continua sua luta em defensa da reforma agrária. Há as que vindo de fora, a exemplo de Irmã Doroty, que se apaixonam tanto pelo povo amazônico que foram capazes de oferecer a própria vida para que de nosso solo continuasse brotando a esperança, para que nossos rios e igarapés continuem saciando a nossa sede de justiça.
A todos os corações femininos desejamos sucesso em suas lutas e reafirmamos nossos desejos de sermos companheiros (pelo menos alguns de nós) na luta travada pelas mulheres no mundo inteiro por liberdade e igualdade.
Queremos, ainda, demonstrar nosso apoio com gestos concretos, compartilhando as atividades domésticas, cuidando da educação de nossos filhos, contribuindo para acabar com a dupla jornada de trabalho e com séculos de patriarcalismo, no qual a mulher e a natureza foram e são representadas como figuras submissas e passivas frente ao poder.
Queremos, finalmente, desejar boas-vindas a todas mulheres que estão ingressando, através de concursos públicos, na SEDUC, que chegaram tão cheias de sonhos, de ideias inovadoras e com tanta vontade de mudar a realidade da educação pública.
São as nossas Anitas Garibaldi cabanas, assim descrita por um general:
“Quando o combate tornou-se mais renhido, via-se que era Anita quem mais animava os soldados do seu marido a serem valentes. Os meus oficiais, especialmente os que estavam na vanguarda, me referiram que era a combatente com a espada em punho e com seus lindos cabelos flutuantes que mais se expunha às nossas balas; que mais trabalhava pela vitória de seu marido, tendo por vezes posto em dúvida a sorte de minhas forças.
Finalmente, vendo reduzido o número de seus bravos soldados, pela morte de muitos e ferimentos de outros, como vendo-se completamente cercada por meus comandados, deixou-se aprisionar, seguida de alguns combatentes. Quando me foi apresentada estava mal vestida, desgrenhada, bem como com voz embargada, devido à tremenda luta e ao fato de ficar separada de seu marido; via-se que ela padecia horrivelmente, tendo por tudo conquistado a minha admiração, como a de meus comandados, por nunca termos pensado em ver uma mulher tão valorosa, tendo-nos enchido de maior orgulho porque era uma catarinense, uma compatriota que dava ao mundo tão sublimes provas de valor e intrepidez.
[...] apesar, ainda mais, da promessa que lhe fiz de restituí-la a seu esposo na primeira oportunidade, a denodada Anita com uma pasmosa coragem conseguiu fugir em noite tenebrosa. Quando este fato teve lugar e chegou ao meu conhecimento, fiquei penalizado por não possuí-la mais como prisioneira, mas tendo desejado que ela encontrasse o seu marido, e tirasse também da dolorosa situação em que se achava, julgando nunca mais vê-lo para sua desgraça.
Ainda agora, apesar da passagem de vinte anos, quando me recordo do seu pasmoso heroísmo, dos seus cruéis sofrimentos, das suas angústias, sinto ensoberbecer-me, por haver sido Anita minha gloriosa prisioneira, o mais honroso título da minha longa vida e o principal enfeite da minha fé de ofício.”
(Antônio de Melo Albuquerque, o Melo Manso, em uma carta que manda ao marechal Leite de Castro).
A letra da música Boa Sorte interpretada por Vanessa da Mata, talvez expresse muito bem minha relação com meu mundo de trabalho:
Boa Sorte / Good Luck
(Vanessa Da Mata feat. Ben Harper)
É só isso Não tem mais jeito Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer São só palavras E o que eu sinto Não mudará
Tudo o que quer me dar É demais É pesado Não há paz
Tudo o que quer de mim Irreais Expectativas Desleais
That's it There is no way It's over, Good luck
I have nothing left to say It's only words And what l feel Won't change
Everything you want to give me It too much It's heavy There is no peace
All you want from me Isn't real Expectations
Tudo o que quer me dar É demais É pesado Não há paz
Tudo o que quer de mim Irreais Expectativas Desleais
Mesmo, se segure Quero que se cure Dessa pessoa Que o aconselha
Há um desencontro Veja por esse ponto Há tantas pessoas especiais
Now even if you hold yourself I want you to get cured From this person Who poisoned you
There is a disconnection See through this point of view There are so many special people in the world so many special people in the world in the world All you want All you want
Tudo o que quer me dar /Everything you want to give me É demais / It's too much É pesado / It's heavy Não há paz / There is no peace
Tudo o que quer de mim / All you want from me Irreais/ isn't real Expectativas / Expectations Desleais
Now we're Falling into the night Um bom encontro é de dois
O FÓRUM PEREGRINO, O SANTO DAIME E A OUTRA ESCOLA POSSÍVEL
Escrevo este texto após participar de dois dias do FÓRUM SOCIAL MUNDIAL, que acontece na Belém das Chuvas do Grão Pará. Confesso leitor(a) que ainda não havia escrito nada sobre o Fórum Social porque não havia encontrado as palavras certas para definir as minhas impressões sobre este momento tão lindo que estou vivenciando. Diria que o Fórum Social é a maior experiência de liberdade já construída por seres humanos. É, também, a maior demonstração de respeito a diversidade e ao direito de ser diferente que já vivenciei na vida.
A única palavra que encontrei para definir o Fórum é peregrinação. Estou participando de um Fórum peregrino. Quando todos os dias eu cruzo os portões da UFRA a palavra que eu mais escuto dos participantes do evento é peregrinar. Quanto tenho andado nestes dias? Andei para participar da atividade da tenda da paz, andei para debater a questão da reforma agrária. Às vezes minhas caminhadas não dão em nada. Ando, chego no local indicado e o debate não acontece. Em outros momentos minha peregrinação é premiada com frases magnificas de Leonardo Boff que com uma voz melódica nos ensina que “tudo que existe merece existir, tudo que existe merece viver¨. Contrito como um muçulmano em Meca escuto caladinho, a Senadora Marina da Silva enlouquecer a juventude com a frase “se não formos capazes de fazer os nossos sonhos maiores que nós, a crença em outro mundo possível não existirá”.
O Fórum Social Mundial é um eterno caminhar de gerações, mas, também, é um ponto de encontro. Encontro de cabelos, narizes, cor da pele, tatuagens e idiomas diferentes. É uma espécie de Babel ao contrário, onde pessoas que falam espanhol, português, inglês, francês e tantas línguas diferentes conseguem se entender perfeitamente. O fórum é pura emoção, que se contrapõe a frieza de Davos.
É festa dos movimentos sociais, da juventude, das mulheres, dos negros e dos índios. É a esperança da realização dos mais lindos sonhos e clara demonstração de que o capitalismo não conseguiu destruir a bondade no mundo. Eu, Luís-peregrino, no meio daquele rio de gente termino o dia exausto. Muito cansado, mais extremamente feliz.
Chego em casa molhado. A chuva tem abençoado todos os dias os participantes do Fórum Social. Lembro daquela garotada que passou por mim, com tão pouca roupa, tomando banho de chuva, marchando por um outro mundo possível. Na cama, feliz da vida, sinto que a geração que irá substituir a minha, tem plenas condições de resolver os impasses econômicos e ambientais no qual receberam o planeta Terra.
Estou feliz e revigorado. Durmo e sonho a noite inteira.
No segundo dia, visito a tenda dos Povos da Floresta. Não reluto em experimentar o Santo Daime. Depois da experiência as pessoas relatam suas visões. Uma menina branca, de olhos azuis, destas que parecem ter saído dos contos infantis, que lia em minha infância, relata que em sua miração viu uma grande cobra sair do Rio Guamá e atravessar a cidade de Belém até chegar ao outro lado. Em sua caminhada (afinal tudo no fórum acaba em caminhada) a cobra havia destruído toda a maldade humana, os preconceitos, intolerâncias, egoísmo, ganância e indiferença que dominava os corações de homens e mulheres que habitavam a nossa cidade.
Ainda, sob o efeito do Daime passei envergonhado a relatar as visões que tive durante a miração. Na miração visitava várias escolas e encontrava professores(as), alunos(as), pais e a comunidade reunida. Reinava um clima de harmonia. Os professores(as) não reclamavam de seus salários. Todos se reuniam em torno de uma mesa redonda e discutiam as atividades coletivamente.
As crianças propunham temas que gostariam de estudar. A diretora escutava atentamente a exposição de uma mãe de aluno(a). A Escola não tinha grades, nem sistemas de alarmes, há anos não existia um único furto na sala de informática. Os professores(as) acreditavam em seus alunos (as). Todos tinham vontade de ir a escola. Olhei e vi um corredor. Comecei a caminhar por ele e a cada passo que dava sentia mais fortemente o cheiro de patchulim. Cheguei a sala de informática. Era linda! Todos os computadores estavam ligados e os alunos publicavam na internet as conclusões a que chegaram a partir da discussão dos temas com os professores(as).
Vi de um monitor de computador saltar um Boto, que assumindo a forma humana, sorrateiramente tentava conquistar umas professoras. Em um cantinho da sala havia uma mulher feia e triste. Lembrei-me, então, daquele rosto tão singular e sem graça. Era a dona burocracia, aquela senhora que adorava enterrar os meus sonhos, quando trabalhava na sede da SEDUC.
Ela era o único ser vivo que merece viver, o único ser vivo que merece existir, infeliz com a felicidade alheia. Estendi a mão para ela, mas ela recusou e não correspondeu ao meu gesto. Talvez se sentisse humilhada, talvez não sentisse tesão ou a felicidade de outros tempos. Então retrocedi e sai da sala. Meu coração estava a mil quando regressei pelo corredor perfumado. Foi quando percebi que haviam, finalmente, abolido as portas das escolas.
Caminhei pela rua e encontrei milhares de crianças em marcha, umas eram negras, outras palestinas, que dançavam e gritavam palavras de ordem. As vi destruindo os muros, arrancando as grades e convocando todos os seres vivos para a grande festa, a festa da justiça, a festa da fraternidade.
Amanhã cedo não irei ao trabalho. Que se dane a SEDUC. Se quiser me encontrar é só passar na Barraca dos Povos da Floresta...